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Dr. Cássio Caetano
Nutrologia · Longevidade

28/09/2026

Andropausa existe? Sintomas e diagnóstico do hipogonadismo tardio

O homem não passa por uma menopausa. Mas uma parte dos homens mais velhos desenvolve testosterona baixa com sintomas. Entenda a diferença e como o diagnóstico é feito.

"Andropausa" é um termo popular, mas enganoso. Ele sugere que todo homem passa, em determinada idade, por uma interrupção hormonal parecida com a menopausa. Isso não acontece. O que existe é uma condição mais específica, chamada hipogonadismo de início tardio, que atinge uma parcela menor dos homens do que a palavra faz parecer.

O que muda com a idade

Na mulher, os ovários param de funcionar em torno dos 50 anos. No homem, os testículos continuam produzindo testosterona a vida inteira. O que ocorre é uma queda gradual: em um estudo americano que acompanhou homens por anos, a testosterona total caiu cerca de 1% ao ano, e a testosterona livre caiu mais rápido, porque a proteína que a transporta aumenta com a idade.

A maioria dos homens mais velhos, portanto, mantém níveis dentro do normal. E o que mais pesa na queda não é o calendário, mas a saúde: obesidade, diabetes e doenças crônicas reduzem a testosterona muito mais do que o envelhecimento isolado.

Quantos homens realmente têm o problema

No maior estudo europeu sobre o tema, com homens de 40 a 79 anos, apenas cerca de 2% preencheram os critérios de hipogonadismo de início tardio: três sintomas sexuais associados a testosterona total e livre baixas. A proporção aumenta com a idade e com a obesidade, mas continua longe de ser universal.

Os sintomas

Os sinais que mais se associam à testosterona baixa são sexuais: queda do desejo, disfunção erétil e menos ereções matinais. Cansaço, perda de massa muscular, aumento de gordura, humor mais baixo e sono pior também podem aparecer, mas são comuns a muitas outras condições.

Como é o diagnóstico

O diagnóstico exige sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em pelo menos duas coletas feitas pela manhã, em jejum. Em seguida, investiga-se a causa, com LH, FSH e outros exames conforme o caso. Obesidade, apneia do sono, diabetes, álcool e medicamentos precisam ser avaliados, porque tratá-los pode normalizar os níveis.

E o tratamento

Quando o hipogonadismo está confirmado, a reposição de testosterona melhora desejo e função sexual, e tem efeitos modestos sobre humor, osso e composição corporal. Um grande estudo publicado em 2023, em homens com hipogonadismo e risco cardiovascular elevado, não mostrou aumento de infarto ou AVC com o tratamento, mas registrou mais casos de arritmia e trombose, o que reforça a necessidade de indicação correta e acompanhamento.

A reposição não é um tratamento antienvelhecimento. É um tratamento para uma condição específica, diagnosticada com critério.

Dr. Cássio Caetano · Médico · CRM-GO 19.246 / CRM-SP 173.174

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Referências

  1. Wu FCW et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men (EMAS). New England Journal of Medicine, 2010.
  2. Feldman HA et al. Age trends in the level of serum testosterone and other hormones in middle-aged men: longitudinal results from the Massachusetts Male Aging Study. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2002.
  3. Bhasin S et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2018.
  4. Lincoff AM et al. Cardiovascular safety of testosterone-replacement therapy (TRAVERSE). New England Journal of Medicine, 2023.

As informações deste site têm caráter informativo e não substituem consulta médica individualizada.