28/09/2026
Menopausa: com quantos anos começa e quanto tempo duram os sintomas
A maioria das mulheres entra na menopausa entre 45 e 55 anos, mas os sintomas podem durar bem mais do que se imagina. Entenda a idade, a duração e o que muda depois.
Duas perguntas aparecem em quase toda consulta sobre o tema: com que idade isso começa e quando vai passar. A primeira tem resposta relativamente previsível. A segunda costuma surpreender.
Com quantos anos a mulher entra na menopausa
A menopausa é definida pela última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem sangramento. A idade média fica em torno dos 50 anos, e a grande maioria das mulheres chega a ela entre os 45 e os 55.
Alguns fatores deslocam essa idade:
- tabagismo, que antecipa a menopausa em um a dois anos, em média;
- histórico familiar, já que a idade da menopausa da mãe é um bom indicador;
- cirurgias, quimioterapia ou radioterapia que afetam os ovários;
- retirada dos dois ovários, que provoca menopausa imediata, com sintomas geralmente mais intensos.
Quando a última menstruação acontece entre 40 e 45 anos, fala-se em menopausa precoce. Antes dos 40, o quadro é de insuficiência ovariana prematura. Nesses casos a investigação e o tratamento são obrigatórios, e não opcionais, porque a falta de estrogênio por tantos anos tem impacto sobre osso, coração e cérebro.
Quanto tempo duram os sintomas
Aqui está a surpresa. Muita gente acredita que os calorões duram poucos meses. O maior estudo que acompanhou mulheres ao longo dessa transição, o SWAN, mostrou outra coisa: somando o período antes e depois da última menstruação, os sintomas vasomotores duraram em média mais de sete anos.
O momento em que eles começam faz diferença. Mulheres que passam a ter calorões ainda na perimenopausa, com ciclos presentes, tendem a conviver com eles por mais tempo, em muitos casos por uma década ou mais. Quando os sintomas só aparecem depois da última menstruação, a duração costuma ser menor. Uma parte das mulheres segue com calorões depois dos 60 anos.
Nem todo sintoma melhora com o tempo
Calorões e alterações de sono tendem a diminuir ao longo dos anos. O ressecamento vaginal, o desconforto nas relações e os sintomas urinários seguem o caminho oposto: sem tratamento, costumam piorar. Esse conjunto tem nome, síndrome geniturinária da menopausa, e responde bem a tratamento local, com absorção sistêmica mínima.
Outras mudanças não dão sintomas, mas contam mais a longo prazo. A perda de massa óssea se acelera justamente nos anos em torno da última menstruação. O LDL tende a subir e a gordura se desloca para o abdome, o que aumenta o risco cardiometabólico. É por isso que a menopausa merece acompanhamento mesmo em quem passa por ela quase sem queixas.
O que isso muda na prática
Esperar os sintomas passarem é uma escolha possível, mas deve ser uma escolha informada. Para quem tem sintomas que atrapalham o sono, o trabalho ou a vida afetiva, existem tratamentos hormonais e não hormonais com boa evidência, e a decisão depende de idade, tempo desde a última menstruação e histórico de saúde de cada mulher.
A avaliação ideal olha para os sintomas de hoje e também para o risco de amanhã: osso, perfil metabólico, composição corporal e saúde cardiovascular.
Dr. Cássio Caetano · Médico · CRM-GO 19.246 / CRM-SP 173.174
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- Avis NE et al. Duration of menopausal vasomotor symptoms over the menopause transition (SWAN). JAMA Internal Medicine, 2015.
- Greendale GA et al. Bone mineral density loss in relation to the final menstrual period in a multiethnic cohort (SWAN). Journal of Bone and Mineral Research, 2012.
- National Institute for Health and Care Excellence. NG23 – Menopause: identification and management. Atualização de 2024.
- The North American Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement. Menopause, 2022.
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