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Dr. Cássio Caetano
Nutrologia · Longevidade

28/09/2026

Reposição hormonal na menopausa: o que é, para quem é indicada e como é feita

A reposição hormonal voltou a ser vista com mais equilíbrio depois de anos de medo. Entenda o que ela é, quem se beneficia, quem não deve usar e como o tratamento é conduzido.

Poucos temas em medicina mudaram tanto de reputação em tão pouco tempo. Em 2002, a interrupção precoce de um grande estudo americano, o Women's Health Initiative, fez milhões de mulheres abandonarem a reposição hormonal da noite para o dia. Duas décadas de reanálises mostraram um quadro bem mais equilibrado, e hoje a terapia hormonal é o tratamento mais eficaz disponível para os sintomas da menopausa, desde que bem indicada.

O que é a reposição hormonal

A terapia hormonal da menopausa repõe o estrogênio que os ovários deixam de produzir. Para a mulher que ainda tem útero, o estrogênio precisa ser associado a um progestagênio, porque o estrogênio isolado estimula o endométrio e aumenta o risco de câncer nesse tecido. Quem já retirou o útero, em geral, usa apenas estrogênio.

O estrogênio pode ser usado por via oral ou pela pele, em gel ou adesivo. A escolha da via não é detalhe: o estrogênio oral passa primeiro pelo fígado e aumenta a produção de fatores de coagulação, enquanto a via transdérmica praticamente não tem esse efeito. Por isso a via pela pele está associada a menor risco de trombose e costuma ser preferida em mulheres com sobrepeso, enxaqueca ou maior risco cardiovascular.

Para quem é indicada

A principal indicação é o alívio de sintomas vasomotores moderados a intensos, como calorões e suor noturno, que atrapalham o sono e a qualidade de vida. A terapia também previne a perda óssea e reduz o risco de fraturas.

O momento de início é decisivo. O equilíbrio entre benefícios e riscos é mais favorável quando o tratamento começa antes dos 60 anos ou nos primeiros dez anos após a última menstruação. Foi justamente esse ponto que o estudo de 2002 não capturou: a idade média das participantes era de 63 anos, muitas já longe da menopausa.

Mulheres com menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura são um caso à parte. Nelas, a reposição é recomendada pelo menos até a idade habitual da menopausa, em torno dos 50 anos, porque a falta prolongada de estrogênio traz prejuízo ósseo e cardiovascular.

Quem não deve usar

A terapia hormonal é contraindicada em algumas situações, entre elas:

  • câncer de mama atual ou prévio;
  • câncer de endométrio;
  • sangramento vaginal ainda não investigado;
  • trombose venosa ou embolia pulmonar prévias;
  • infarto ou AVC;
  • doença hepática ativa.

Há ainda situações intermediárias, como enxaqueca com aura, hipertensão mal controlada e histórico familiar importante de câncer de mama, em que a decisão depende de uma avaliação individual cuidadosa.

E os riscos

Os riscos existem, mas precisam ser colocados em números reais. O aumento do risco de câncer de mama está ligado sobretudo à combinação de estrogênio com progestagênio e ao tempo de uso, e é pequeno em termos absolutos quando comparado a fatores como obesidade e consumo de álcool. O risco de trombose depende principalmente da via, sendo menor com estrogênio transdérmico.

A decisão, portanto, não é "hormônio faz mal" ou "hormônio faz bem". É uma conta individual entre intensidade dos sintomas, idade, tempo desde a menopausa e histórico de saúde.

Como o tratamento é conduzido

Antes de iniciar, a avaliação inclui história clínica e familiar detalhada, exame físico, rastreamento mamário em dia e exames escolhidos conforme o caso. Depois, usa-se a menor dose eficaz para os objetivos daquela mulher, com reavaliação periódica.

Não existe prazo fixo para interromper. A duração é revista ao longo do acompanhamento, pesando a persistência dos sintomas e a mudança do perfil de risco com a idade.

Para quem não pode ou não quer usar hormônios, existem alternativas não hormonais com eficácia comprovada para os calorões, além do tratamento local para os sintomas geniturinários. Em qualquer cenário, a menopausa é também o momento de olhar com atenção para massa muscular, osso e saúde metabólica.

Dr. Cássio Caetano · Médico · CRM-GO 19.246 / CRM-SP 173.174

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Referências

  1. The North American Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement. Menopause, 2022.
  2. Manson JE et al. Menopausal hormone therapy and health outcomes during the intervention and extended poststopping phases of the Women's Health Initiative randomized trials. JAMA, 2013.
  3. National Institute for Health and Care Excellence. NG23 – Menopause: identification and management. Atualização de 2024.
  4. Vinogradova Y et al. Use of hormone replacement therapy and risk of venous thromboembolism: nested case-control studies. BMJ, 2019.

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