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Dr. Cássio Caetano
Nutrologia · Longevidade

28/09/2026

Terapia hormonal feminina: vias, formulações e como se escolhe

Não existe um melhor hormônio para todas as mulheres. Entenda as diferenças entre as vias de uso, os tipos de estrogênio e de progestagênio e o que pesa na escolha.

Uma das perguntas mais buscadas sobre o tema é qual o melhor remédio para reposição hormonal. A resposta honesta é que não existe um melhor para todas. Existem combinações mais adequadas para cada mulher, e a escolha depende de três decisões: qual estrogênio, por qual via e com qual progestagênio.

A via do estrogênio

O estrogênio pode ser usado por via oral ou pela pele, em gel ou adesivo. A diferença é fisiológica. Pela boca, ele passa primeiro pelo fígado em concentração alta e estimula a produção de fatores de coagulação, triglicerídeos e proteínas inflamatórias. Pela pele, chega à circulação sem essa primeira passagem, e esse efeito praticamente desaparece.

Na prática, isso se traduz em risco de trombose menor com a via transdérmica, o que a torna a opção preferida para mulheres com sobrepeso, triglicerídeos elevados, enxaqueca ou maior risco cardiovascular. A via oral continua sendo uma opção válida para mulheres sem esses fatores, especialmente quando a adesão é mais simples.

O tipo de estrogênio

O estradiol é o mesmo hormônio produzido pelos ovários e está disponível tanto por via oral quanto transdérmica. Os estrogênios conjugados são uma mistura de estrogênios de origem equina, usados por via oral, e foram os utilizados no grande estudo americano de 2002. Os dois aliviam os sintomas; a escolha costuma pesar mais pela via do que pela molécula.

O progestagênio

Mulheres que têm útero precisam de um progestagênio junto com o estrogênio, para proteger o endométrio. Aqui também há diferenças relevantes. A progesterona micronizada, idêntica à produzida pelo corpo, e a didrogesterona aparecem em estudos observacionais com perfil mais favorável em relação a mama e trombose do que os progestagênios sintéticos mais antigos. O sistema intrauterino com levonorgestrel é outra alternativa: protege o endométrio localmente e, na perimenopausa, ainda funciona como contracepção.

O esquema também muda a experiência. No esquema cíclico, há um sangramento programado todo mês, o que costuma ser mais adequado perto da última menstruação. No esquema contínuo, o objetivo é não sangrar, e ele costuma ser preferido quando a menopausa já tem mais de um ano.

Outras opções

A tibolona é um esteroide sintético que alivia os calorões e preserva osso, mas não é indicada para mulheres mais velhas, porque em um estudo com participantes acima dos 60 anos houve aumento de AVC. O estrogênio vaginal em baixa dose trata a síndrome geniturinária com absorção mínima e, em geral, dispensa progestagênio.

Como a escolha é feita

A combinação certa sai de uma avaliação que considera sintomas predominantes, presença ou não de útero, tempo desde a última menstruação, peso, pressão, perfil lipídico, enxaqueca, histórico de trombose e histórico familiar de câncer. Depois de iniciada, a terapia é ajustada pela resposta clínica, e não por uma meta de número no exame de sangue.

Dr. Cássio Caetano · Médico · CRM-GO 19.246 / CRM-SP 173.174

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Referências

  1. The North American Menopause Society. The 2022 hormone therapy position statement. Menopause, 2022.
  2. Vinogradova Y et al. Use of hormone replacement therapy and risk of venous thromboembolism: nested case-control studies. BMJ, 2019.
  3. Fournier A et al. Unequal risks for breast cancer associated with different hormone replacement therapies: results from the E3N cohort study. Breast Cancer Research and Treatment, 2008.
  4. Cummings SR et al. The effects of tibolone in older postmenopausal women (LIFT). New England Journal of Medicine, 2008.

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