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Dr. Cássio Caetano
Nutrologia · Longevidade

28/09/2026

Como saber se a testosterona está baixa: sintomas e exames

Cansaço e pouca disposição não bastam para falar em testosterona baixa. Veja quais sintomas realmente apontam para o problema e como o exame precisa ser feito.

Cansaço, desânimo e dificuldade para ganhar massa muscular levam muitos homens a desconfiar da testosterona. Às vezes ela está mesmo baixa. Muitas vezes não está, e o problema é outro. Diferenciar as duas situações exige olhar para os sintomas certos e fazer o exame do jeito certo.

Os sintomas que mais apontam para testosterona baixa

Os sinais mais específicos são sexuais: queda do desejo, disfunção erétil e redução das ereções matinais. Em um grande estudo europeu com homens de 40 a 79 anos, foram justamente esses três sintomas os que melhor se associaram a níveis baixos de testosterona.

Outros sintomas são comuns, mas inespecíficos: cansaço, humor mais baixo, irritabilidade, perda de força e massa muscular, aumento de gordura abdominal e sono pior. Eles podem ter muitas causas, e isoladamente não sustentam o diagnóstico.

Como o exame precisa ser feito

A testosterona tem ritmo diário: é mais alta pela manhã e cai ao longo do dia. A alimentação também reduz o valor temporariamente. Por isso a coleta deve ser feita pela manhã, idealmente entre 7 e 10 horas, em jejum. Um único resultado baixo não fecha diagnóstico: a dosagem precisa ser repetida para confirmar.

A testosterona total nem sempre conta a história inteira. Boa parte dela circula ligada a uma proteína chamada SHBG, que cai na obesidade e sobe com a idade. Quando a total está no limite ou a SHBG está alterada, calcular ou dosar a testosterona livre ajuda a decidir.

Confirmado o valor baixo, a investigação continua: LH e FSH mostram se o problema está no testículo ou no comando cerebral, e, conforme o caso, entram prolactina, ferritina e outros exames.

Causas que precisam ser vistas antes

Obesidade, diabetes, apneia do sono, noites mal dormidas, álcool em excesso, uso de opioides, doenças agudas e uso prévio de anabolizantes reduzem a testosterona. Na obesidade, o tecido adiposo converte testosterona em estradiol e a resistência à insulina inibe o eixo hormonal. A perda de peso, por si só, costuma elevar os níveis.

Isso muda a conduta. Em muitos homens, tratar o sono, o peso e a saúde metabólica resolve boa parte do quadro sem hormônio nenhum.

Quando existe indicação de tratamento

O diagnóstico de hipogonadismo exige as duas coisas juntas: sintomas compatíveis e níveis baixos confirmados em mais de uma coleta adequada. Quando há indicação, a reposição é feita com acompanhamento regular de hematócrito, próstata e sintomas. Ela não é indicada para quem deseja ter filhos, porque suprime a produção de espermatozoides, nem tem indicação médica para ganho de massa muscular ou desempenho esportivo.

Dr. Cássio Caetano · Médico · CRM-GO 19.246 / CRM-SP 173.174

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Referências

  1. Bhasin S et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2018.
  2. Wu FCW et al. Identification of late-onset hypogonadism in middle-aged and elderly men (EMAS). New England Journal of Medicine, 2010.
  3. Travison TG et al. Harmonized reference ranges for circulating testosterone levels in men of four cohort studies in the United States and Europe. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2017.
  4. Grossmann M. Low testosterone in men with type 2 diabetes: significance and treatment. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2011.

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